“O perdão é inegociável”. A sentença é do capitão Lauro Botto, um dos líderes do movimento dos bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, ao afirmar que a categoria só pretende retomar as negociações por melhores salários depois que os militares que invadiram o quartel central da corporação, na sexta-feira (3) retrasada, forem anistiados pelo governo estadual.
Os fatos gerados pela queda de braços entre governo e bombeiros mexem com a sensibilidade de vários segmentos, deputados estaduais, federais, da população fluminense e de vários estados, inclusive repercutindo no exterior. A grande maioria manifesta apoio aos servidores e repudia a prisão dos 439 bombeiros e não mede palavras para criticar o governador Sérgio Cabral Filho.
Repercussão – A pressão em “coro nacional”, teve repercussão favorável na Justiça, que, depois de negar habeas corpus para que os bombeiros fossem soltos, decidiu acatar o pedido, no final da manhã da última sexta-feira (10). Mas os bombeiros querem também a anistia da pena, por se sentirem injustiçados por estarem com as fichas sujas.
Os bombeiros se fortalecem nos pedidos de anistia apresentados, primeiro pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), na Câmara Federal, seguido pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ). O capitão Lauro Botto ressalta que, desde o início, a categoria briga por dignidade salarial. “Com os nossos homens nessas condições, não temos estabilidade emocional para discutir salários e ainda podemos ser alvo de processos. Isso pode fazer com que os que lutaram não tenham direito a nada”, concluiu Botto.
Apoio manifestado também entre os deputados estaduais do Rio
Além das propostas de anistia criminal que tramitam no Congresso Nacional, deputados estaduais também fazem o mesmo. De acordo com a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR), com a intenção de tentar evitar medidas administrativas contra os militares envolvidos no protesto (que podem até ser expulsos da corporação), está sendo articulada, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para anistiá-los.
Depois de permanecerem presos há seis dias no quartel do Corpo de Bombeiros de Charitas, em Niterói, os 430 bombeiros passaram o dia da sexta-feira (10) fazendo exames de corpo delito e se preparando para ser liberados, o que aconteceu somente na manhã de ontem, por causa de um problema no sistema de digitalização da Auditoria da Justiça Militar.
Da Redação
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