O ex-jogador foi recebido com festa por onde passou, mas também foi intimado a assumir o compromisso. O jovem Anderson da Silva, que tem três irmãos presos por tráfico e hoje coordena uma instituição de tratamento, em Nova Jericó, apontou o dedo para o Baixinho e disse, depois de uma longa apresentação do funcionamento da entidade: “eu sou apenas um drogado de favela, você pode fazer muito mais. Queremos muito mais do que a foto que você vai deixar aqui. Você pode mudar a cara do Brasil,” intimou.
Romário nem pestanejou e aceitou o desafio. Muito emocionado e com dificuldade de concluir as frases, o ex-jogador lembrou da infância pobre na favela do Jacarezinho, no Rio de janeiro. Lamentou também que, apesar de nunca ter sido dependente químico, perdeu muitos amigos para as drogas e para o tráfico. E reafirmou que enxergou no esporte uma forma de mudar de vida. O baixola, como até hoje é chamado na comunidade carioca, resgatou ainda a frase dita por ele antes da Copa de 94: que o Brasil ganharia o Mundial e ele seria o melhor jogador do mundo. A promessa agora é outra. “Eu só vou sair da política quando fizer tudo que me pediram pra fazer”.
Em resposta, da mesma forma que apoiam os colegas em tratamento, os dependentes gritaram: FORÇA, Romário!
Alagoas pode servir de modelo para o Brasil
Esta é a opinião do deputado federal Romário Faria diante do cenário apresentado pelos alagoanos. O estado atende 500 jovens em risco social e as unidades para tratamento de dependentes tem 100% de financiamento público. As instituições masculinas custam, por mês, R$ 500, e as femininas R$ 800.
Como as comunidades terapêuticas não são reconhecidas pelo Governo Federal, elas não podem receber dinheiro público. Um dos objetivos da Comissão Especial é aprovar este reconhecimento e aumentar o aporte de recursos para o Fundo Nacional Anti-Drogas.
O relator da comissão, deputado federal Givaldo Carimbão (PSB-AL), apresentou um saldo parcial dos trabalhos do grupo. “Já estava mais do que na hora de o Congresso Nacional atuar com contundência no combate ao tráfico de drogas”, avaliou.
O desafio pós-tratamento é reinserir o jovem na sociedade. Para isso, Romário aponta que é fundamental o encaminhamento para os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs) já instituídos em alguns estados. “A profissionalização é um caminho para a reinserção social desses jovens. Porque depois de tratamento, o cara cai na rua e volta para as drogas se não tiver apoio familiar. Muitas vezes, a família também não quer desempregado e ex-viciado em casa. O trabalho pode quebrar esse ciclo”, aponta. O parlamentar acredita que este modelo pode começar a ser testado na cidade de Búzios e ser expandido para o restante do estado do Rio de Janeiro.
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