A Polícia recomenda que quem receber notas manchadas registre um boletim de ocorrência na delegacia
Suspeito foi preso com produtos químicos que tiram as manchas de tinta das cédulas roubadas de caixa.
São Paulo. As quadrilhas que assaltam caixas eletrônicos em São Paulo já inventaram uma estratégia para contornar os dispositivos de segurança que mancham de tinta rosa as notas durante os ataques. Ontem, a Polícia Civil do Estado apresentou produtos químicos usados para lavar as notas apreendidos com um suspeito preso. O homem tinha também, em sua casa, um revólver banhado a ouro.
Segundo o delegado Nelson Silveira Guimarães, diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic), é a primeira vez que a Polícia encontra os produtos, que passarão por perícia para serem identificados.
"Foi uma surpresa. Achávamos que os criminosos iam encontrar alguma forma de neutralizar (esse dispositivo de segurança), mas não que fosse tão rápido. As notas estão praticamente limpas. O pessoal dos bancos vai ter que pensar em outra solução, porque essa parece que não está funcionando mais", afirmou o delegado.
As notas manchadas foram apreendidas com o suspeito dentro de um filtro d´água, banhadas nos produtos químicos. Agora, as cédulas vão para a perícia para saber que tipo de substância foi usada.
Segundo Guimarães, a ação de ontem é a continuação da Operação Caixa Preta, que busca desmantelar quadrilhas que atacam caixas eletrônicos em São Paulo. Cinco pessoas haviam sido detidas ontem, todas com passagem na Polícia e acusações de ataques a caixas.
Com isso, sobe para 31 o número total de presos na operação iniciada na semana passada. Sete são policiais militares. A Polícia suspeita que há cerca de 100 pessoas nesse esquema de ataques a caixas.
Sem ressarcimento
Na última semana, o Banco Central decidiu não mais ressarcir o cidadão que receber uma cédula danificada por dispositivos antifurto, e as notas deixaram de ter validade.
O objetivo da medida, segundo o BC, foi contribuir para a redução dos casos de furtos e roubos a caixas eletrônicos, ao dificultar a circulação de notas roubadas ou furtadas. Cerca de 75 mil notas manchadas estão em circulação.
O Procon-SP contestou a decisão e afirmou que "o custo da medida de segurança contra o aumento de explosões de caixas eletrônicos, principalmente no Estado de São Paulo, não deve ser repassado à população".
A Polícia recomenda que as pessoas que receberam uma nota manchada procurem uma delegacia para registrar boletim de ocorrência.
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