24 de maio de 2011

CPI das Armas vai pedir à polícia o rastreamento de munições no Rio


Deputados visitaram indústria de munições em São Paulo. Diretor de empresa disse que há três fábricas ilegais de armamento no país.



A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga o tráfico de armamentos no Rio de Janeiro, informou na noite desta segunda-feira (23) que vai pedir à chefe da Polícia Civil, delegada Marta Rocha, o rastreamento das munições sob custódia da polícia.
Segundo a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), os deputados da comissão visitaram a fábrica da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), que detém o monopólio brasileiro na fabricação de munições, em São Paulo, e receberam informações sobre falsificações de munições, aproveitando componentes da CBC.
A informação de apreensões de munições ilegais motivou a comissão a fazer um rastreamento do arsenal, sob custódia da polícia do Rio. A comissão contará não só com o auxílio da perícia policial como de técnicos da CBC.
“Entraremos em contato com a (chefe da Polícia Civil) delegada Marta Rocha para programarmos um trabalho de rastreamento de munições. O resultado desse trabalho poderá dar novo rumo a CPI”, disse o presidente da CPI, deputado Marcelo Freixo (Psol).
500 mil munições falsas
Na visita, o diretor institucional da indústria, Salésio Nuhs, informou que técnicos da empresa são capazes de identificar a origem das munições apreendidas a partir da análise do cartucho. Ele explicou que, em atendimento à legislação em vigor, toda munição vendida por eles para as forças de segurança são marcadas, menos as destinadas à exportação. Já as falsificadas, segundo ele, poderiam ser identificadas facilmente.
O diretor da empresa disse ainda, segundo a Alerj, que recentemente foram apreendidas 500 mil munições falsas e que há três fábricas ilegais de projéteis no Brasil. Para os deputados, a informação é grave e precisa ser apurada.
PMs participaram de desvio
Há duas semanas, no dia 9 de maio, o juiz titular da Vara Criminal da Comarca de Itaboraí, Marcelo Villas, confirmou a participação de dois policiais militares no fornecimento de munição ao tráfico. Segundo o magistrado, o caso aconteceu em 2009. A afirmação do juiz ocorreu numa audiência da CPI das Armas que investiga o tráfico de armas, munições e explosivos no estado.
A partir do relato do juiz, os deputados da CPI aprovaram a convocação do comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, para prestar depoimento ao grupo.
Segundo o que foi apurado pela CPI, a partir de investigação iniciada em 2008, a Polícia Federal descobriu que um cabo da PM que trabalhava no Depósito Central da Polícia Militar, em Niterói, na Região Metropolitana, fornecia munições a um dos chefes do tráfico de drogas de favelas de Itaboraí, na Região Metropolitana, e do Morro do Turano, na Zona Norte.
PMs condenados a 32 anos de prisão
De acordo com as investigações, um dos PMs detinha a autorização do Exército para a prática de tiro esportivo – o que lhe conferia o direito de recarregar munições – e era colecionador de armas. O juiz explicou que o outro policial, um sargento, trabalhava como armeiro no 35º BPM (Itaboraí). Os dois foram condenados a 32 anos de prisão.
“O PM fornecia com sua autorização, concedida pelo Ministério do Exército, munição recarregada para traficantes”, resumiu o juiz, acrescentando que o policial também atuava como segurança do traficante.

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